domingo, 22 de agosto de 2010



Vim falar a verdade, que começa com uma bobagem.

Eu abandonei o receio há algum tempo e hoje vivo daquilo que acho certo. Minha sexualidade muito bem definida é uma prova dessas coisas certas em minha vida. Olho-me no espelho e muitas vezes não sei quem sou, mas me reconheço numa lembrança que o tempo nunca conseguiu apagar.

Aqui dentro, bem aqui dentro de mim, pulsa um coração que anseia por pessoas, dias, sentimentos e momentos melhores. Sou alguém que não se convence rapidamente e tampouco é de dar explicações. Percebo uma enrolação de longe e é algo que me irrita!

Uma das metas deste blog é diversificar. O que é diversificar? Ser diferente? Abrir espaços para o que não se vê por aí? Abrir um leque de opiniões sobre o mesmo assunto? Talvez seja isso e muito mais. Acredito que vamos mais além quando dedicamos nosso tempo a expor idéias aqui. Escrevo com verdade e procuro colocar emoção em tudo, quase nunca sendo apenas racional. A racionalidade não camufla os sentimentos que querem ser expostos, então prefiro não ser racional. Ao me emocionar, sou mais autêntica.

Esta semana uma conversa com a minha mãe me fez apelar para o meu lado lógico (sim, ele existe), mas fiz questão de transformá-lo em sentiimento. A discussão se transformou em debate, depois virou confusão, acabou em pizza e isso me desagrada profundamente. E é um direito meu me sentir assim.

Eis o assunto da conversa: O que é ser lésbica?

Supostas resposta/dúvidas: Amar mulheres? Amar mulheres faz de você uma lésbica?... Hmmmm... Desejar mulheres? Desejar mulheres faz de você uma lésbica?

Afinal, o que é ser Lésbica?

O que é ser lésbica e o que nos classifica como tal?

Na adolescência, quando me vi apaixonada pela minha melhor amiga, pensei ser lésbica. Confesso que foi um amor platônico, mas que abriu portas para vários questionamentos.

Senti-me perdida, num beco sem saída... A solução mais cabível pra mim naquele momento foi me isolar. Precisava de tempo pra mim. De tempo pra me entender. Não precisava de experiências com homens pra saber que eu gostava de mulheres ou pra saber se aquilo não era apenas uma fase. Claro, como nada é regra, cada uma é cada uma e escolhe os caminhos a serem percorridos.

Meu caso era assim: uma mulher havia mexido comigo de um jeito tão diferente que nenhum homem jamais havia conseguido igual. Gostava de admirá-la e isso era instintivo e natural. Sentia-me bem em sua companhia, adorava seu andar gracioso e seu cheiro enebriante, que arrepiava até os cabelos de onde eu não os tinha.

Um dia pensei: "será que sou lésbica?"

A princípio, aquilo me pareceu um absurdo sem tamanho. Eu me puni, chorei, quis gritar, fiz tudo e sofri calada. E assim foi até que eu percebi que não se manda no coração, na mente e, principamente, no corpo. Finalmente me acalmei, mas demorei muito pra aceitar.

Numa bela noite de lua cheia, quando beijei pela primeira vez uma mulher, percebi que eu era uma idiota completa! Havia passado anos da minha vida me torturando com a idéia de apenas desejar ser tocada e tocar uma mulher, algo tão simples e assutador. E quando aconteceu, experimentei a melhor sensação que já tive até hoje: um coração adolescente disparado, medroso, palpitante, ansioso... Mãos geladas, peito quente, boca seca e aquele beijo... O tão esperado toque dos lábios, bocas se encostando com nervosismo, dedos das mãos se entrelaçando, corpos se encostando, desejo sendo realizado. Infelizmente, como nada dura pra sempre, acabou. Mas aquela sensação jamais me abandonou.

Que sensação era aquela, meu Deus? Como pude pensar que aquilo era algo sem nexo, sem propósito?

Foi ali que me descobri lésbica. Não por amar uma mulher em segredo. Não por poder tocá-la. Por nada disso, mas sim por ser quem eu queria ser. Por ser eu mesma... Completa, entregue e realizada!

Ali foi minha descoberta, minha realização. Ali me conheci e, desde aquele momento, soube quem eu era: uma mulher comum! Uma mulher lésbica comum, como qualquer outra mulher, lésbica ou não. Apenas uma mulher cheia de sonhos, desejos, receios e vontades. Pude ser livre quando me aceitei e quando enxerguei que o preconceito não vinha de fora, mas de dentro de mim. Eu não me permitia sentir todo o que eu queria, não me permitia ser eu mesma. Não achava certo e não cabia dentro de mim amar um ser que é exatamente como eu. E foi assim que me dediquei a conhecê-la, a decifrar seus desejos, seus truques, suas manhas e charmes. Deparei-me com algo inacreditável, com algo que amei toda a minha vida. Ali, bem diante de mim, estava alguém tão igual e que provocava em mim coisas sem limites, sem fronteiras. Permiti-me por completo querer tudo que sempre quis e quero. O tempo passou. Hoje sou adulta, bem resolvida com a minha sexualidade, mas dentro de mim ainda mora aquela menina que tinha medo de se entregar. Ela ainda quer a mesma coisa: amar uma mulher, com suas qualidades e defeitos. Apenas amá-la, sendo quem sou!

Sou lésbica, sim. Esse é o rótulo que me deram por amar outra mulher. Aceito-o e me orgulho por ele, mas antes de tudo sou uma mulher que não é diferente de nenhuma outra.

Sou lésbica e me orgulho disso. Digo em alto e bom tom: Eu amo as mulheres, seu apelo, suas fantasias,
seus desejos, suas brincadeiras e toda a sua insanidade. E isso não me torna diferente de ninguém.

Eu sei quem de fato sou!


Equipe
ps.: O texto foi enviado pra nós por uma das nossas amigas! Obrigada!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

CONTO - ISADORA E SOPHY (2º capitulo)


...(continuação)

Como esperado, Isadora chegou 'em paz' a Santa Catarina. A viagem tinha sido tranquila e ela conseguiu ligar pra Sophy assim que chegou na casa da sua avó. Aquela temporada pra elas foi uma das mais difíceis; eram dois meses, sessenta dias sem poderem se falar quando queriam. Isadora não estava bem lá e Sophy não estava bem aqui; era como se estivessem mortas e tivessem vida apenas quando conseguiam se falar, mesmo por alguns minutos. As datas comemorativas passaram.. no Natal, nada mais do que uma mensagem de texto. Reveillon, nem mensagem... O pior final de ano para as duas, definitivamente. Sophy chorava, mas calada, quando já estava no quarto e não podia fazer barulho para que não acordassem. Doía, ardia. Sophy não queria estar ali com aquelas pessoas, o incício de um ano novo, um novo tempo, em que tinha esperanças de que tudo ficasse bem. Ela precisava de sua menina, da sua felicidade. Isadora permaneceu sozinha naquela noite de mudança, calada, olhando pro nada, sentindo o vento, o frio. Só queria ter ali a voz daquela que lhe trazia felicidade.Os dias foram se passando e finalmente os dois horríveis meses se acabaram. Isadora estava de volta, no dia 2 de fevereiro de 2010, em casa, sozinha com seu pai. Ela não podia sair, mas tinha por obrigação ir à faculdade, onde todos os seus amigos iam ao seu encontro. Como as aulas de Sophy só começariam na outra semana, elas ainda não haviam se visto. Como era estranho, ter abraçado todos, matado a saudade.. menos ela! Agora se falavam mais, pois o pai de Isadora trabalhava durante a manhã e ela ficava sozinha. Mas ligações não eram suficientes, pensar que estavam tão perto, mas ainda não tinham se abraçado, se tocado! Por ironia do destino, talvez, a vizinha e amiga da família de Isadora comentou que ia à capital no final de semana e peguntou se a garota não queria acompanhá-la.Isadora ficou na dúvida, disse que depois falaria com o pai. Mas ao falar com Sophy, descobrindo que ela também estaria lá, resolveu aceitar no mesmo instante.Sábado, então, estavam as duas no Rio de Janeiro. Era carnaval e alguns blocos desfilariam na rua, lugar perfeito para se encontrarem. O tio de Sophy não desconfiaria quando ela se ausentasse para encontrar sua pequena. Ela chegou primeiro, por volta das 11 horas e esperaria o dia todo se fosse preciso. Isadora dependia da carona de sua vizinha que, por sorte, estava do lado das duas.Sophy estava cada segundo mais nervosa, não aguentava mais aquela espera, a barriga congelava, tinha arrepios do nada.. e então Isadora ligou "Amor, tô aqui na avenida, onde você tá?"O coração dispara, a respiração acelera, o estômago congela e Sophy responde "Estou na frente da barraca Pedra Virada, meu amor, você tá longe daqui?".Depois de um rápido "Não, amor, eu já chego!" Isadora desligou o telefone e apressou o passo com sua vizinha, perguntando a todos onde ficava a tal barraca. Chegando lá, Isadora ligou de novo "Amor, eu tô aqui, na calçada do hotel da esquina, do lado oposto ao Pedra Virada. Tô vendo a barraca, de frente pra ela". Sophy gritou "Calma, amor, eu tô indo! Hotel da esquina, hotel da esquina... Cadê?!". De repente as duas se viram ao mesmo tempo. Sem nem pensar no que estavam fazendo, empurraram os celulares no bolso e correram ao encontro da outra. Se abraçaram e permanceram assim por alguns minutos. Ninguém nunca conseguirá explicar o que sentiram quando se tocaram, quando se sentiram novamente, depois de todo aquele inferno, de todo aquele tempo. Os corpos tremiam no compasso dos coraçõea acelerados que pareciam querer saltar de dentro das duas. Felicidade, dúvida, medo, certeza, alívio, esperança... todos os sentimentos possíveis ao mesmo tempo! Soltaram-se então, precisavam falar com Luíza, a vizinha, acertar que horas ela voltaria pra buscá-la.Sophy e Isadora não se desgrudavam por um segundo sequer, olhares intensos, abraços apertados, mãos dadas... aquilo parecia um sonho. Estavam na praia, sentadas na areia com a água tocando seu pés. Mas o dia acabou e elas precisavam ir embora. Por volta das 17:30, elas se despediram e combinaram que fariam o possível pra se ver novamente à noite. Luíza, ajudando novamente, levou Isadora para que se encontrasse com Sophy e, durante 40 minutos, ficaram juntas novamente na praia, sentindo o vento frio. Conversaram sobre tudo. Sobre como fariam dali por diante pra se ver, sobre como aquilo estava sendo inacreditável e maravilhos, sobre o quanto não queriam sair dali jamais. Falaram sobre todo o sofrimento de quando estavam distantes e sobre todas as coisas possíveis e necessárias. Como sempre o tempo voou e logo precisavam ir embora.
A tão esperada segunda-feira chegou. Depois de muito tempo, Sophy voltava a Niterói onde estudava.. e onde morava Isadora. Daquele dia em diante, começaram as preocupações de como iriam se ver, ou se a maneira que combinaram daria certo; mas tudo foi se organizando. Logo, Luíza mais uma vez estaria lá pra ajudar. Isadora estava sozinha em asa com o pai, pois sua mãe havia ficado em Santa Cataria. Cristiano, o pai, trabalhava durante a manhã e só voltava depois das 13h. Sophy saía da aula ao meio dia e tinha até 12:40 pra chegar em casa, se usasse o trânsito como desculpa, então Luíza e Isadora buscavam Sophy na escola e, perto das 12:40, a vizinha a levava ao ponto.As coisas foram correndo desta forma, até que Ana, mãe de Isadora, voltasse pra casa.
Depois que Ana voltou, as coisas se complicaram um pouco. Sophy não podia ir à casa de Isadora e ela não tinha permissão pra sair... elas se viam quando surgia um motivo, uma desculpa para que Isadora tivesse que ir à rua. Mais ou menos 30 dias se passaram desse jeito; Isadora não podia sair, Sophy não ia a Niterói pra outra coisa além da escola e do curso. Foram tentando dar um jeito até que Isadora teve uma discussão com a mãe. Disse que não queria mais mentir nem omitir qualquer coisa, que ela e Sophy se viam e sua mãe sabia, que ela faria 18 anos em breve e que os pais não tinham o direito de impedi-la de ver Sophy. Ana não entendeu muito bem tudo aquilo ou, se entendeu, não deu ouvidos. Simplesmente não aceitava, mas não a proibiu mais. Dali em diante, Isadora começou a reconquistar sua liberdade e, embora tivessem pouco tempo, quando a aula de Sophy terminava, ela já estava plantada na porta do colégio esperando.Com o tempo, Sophy também conseguiu permissão pra sair, depois das aulas à tarde... elas conseguiam se ver com mais tranquilidade.. com mais frequência. As coisas foram voltando ao seu lugar; Sophy e Isadora estavam cada dia mais perto de uma felicidade tranquila, porque mesmo com tudo aquilo, conseguiam se sentir completas por pertencerem uma à outra, por saber que sempre estariam ali. As coisas só melhoravam, seus pais começavam a "abrir a cabeça" e com toda certeza elas lutariam até o fim para serem, não só aceitas, mas apoiadas por eles.
Da autora desse conto, fica aqui uma mensagem para pais de homossexuais: Os seus filhos, mais que nunca, precisam de vocês. Eles já têm o mundo para enfrentar e vocês vão deixá-los desamparados, desesperados e sozinhos para enfrentar, além de tudo, vocês mesmos? Orientação sexual não é escolha, simplesmente acontece. Seu filho não é um doente, nem faz isso por pirraça, nem qualquer outra coisa que os pais costumam pensar. Tudo o que vocês fazem na vida é pra eles, para seu filhos, para que eles tenham um bom futuro e possam ser felizes. Então, aceitem essa felicidade do modo que eles sentem. Cada pessoas se alegra por um motivo, isso é fato. Algo que te deixa bem, talvez não faça tanta diferença pra sua esposa, mas ela ficará feliz porque você está. E assim são seus filhos, é o jeito que eles são e por isso é como eles devem viver. E você deve saber que seu filho não está sofrendo.

Está em paz.
Está feliz!

OBS: Essa historia é real com nomes fictícios, enviada por uma de nossas leitoras.
Muito obrigada por sua participação!

Equipe

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

CONTO - ISADORA E SOPHY (1º capitulo)

Era só mais um sábado entre os muitos do ano, como qualquer outro, quando Isadora e Shophy falavam pelo celular. Comentavam sobre a saudade que já sentiam uma da outra, mesmo tendo se visto há menos de 24 horas. Sophy achava que era por causa da viagem de Isadora que se aproximava: 2 meses a mais de 2000km de distância, e pensar naquilo as entristecia. Pouco mais de 30 minutos ao celular, Isadora avisou que precisava desligar porque seus pais tinham chegado e sua mão não passava muito bem. Sophy concordou e desligaram. O tempo foi passando e Isadora não retornava a ligação. Sophy começou a ficar inquieta e curiosa pra saber o que tinha acontecido. Uns 25 minutos depois, não aguentando mais a agonia, ligou para Isadora, que atendeu chorando desesperada.
- Ferrou, eles descobriram, descobriram tudo! Não posso falar...
Para o desespero de Sophie, ela só ouvia o som do telefone desligado. Entrou em desespero, não sabia o que fazer, o que falar; não conseguia chorar, não sabia se ficava sentada ou perambulava pela casa. Ligar de volta era inútil, o telefone chamava até que caísse a ligação e aquele sábado pavoroso foi indo embora. Sophy não conseguia pensar em nada, o choro já lhe era permitido, lágrimas incontroláveis escorriam pelo seu rosto quando ela pediu que sua amiga Renata ligasse para a casa de Isadora.
Isadora: Alô?
Renata - angustiada e feliz ao mesmo tempo: Isadora?
Isadora, chorando respondeu: É.
Renata: Meu amor, a Sophy está desesperada, fala pelo menos se o que eles descobriram foi o namoro de vocês...
Isadora: Foi, Rê. Descobriram tudo, tenho que desligar!
Renata: Tudo bem, meu amor. Tenta ficar bem!

Renta, então voltou a falar com Sophy.
Renata: Sophy?
Sophy: Oi, Rê?
Renata: Amor, olha, eu falei com ela e realmente descobriram sobre vocês.
Sophy: Meu Deus, Renata, e agora? Como vai ser? O que eles vão fazer?
Renata: Não sei, meu amor, você precisa se acalmar agora.
Sophy: Tudo bem, Rê. Vou desligar. Obrigada.

Tudo aconteceu por volta das 19 horas e, para desespero de Sophy, Isadora só conseguiu ligar às 20:30. Ela falava muito baixo e Sophy quase não entendia o que aquela voz trêmula lhe falava. Foi uma ligação rápida, mas imensamente tranquilizadora. Sophy se acalmava gradativamente à medida que ouvia a voz da sua pequena menina. Foi como um remédio começando a fazer efeito, um calmante para Sophy.
Mas logo Isadora falou: Meu amor, preciso desligar agora. Assim que eles saírem eu te ligo. Por favor, não desiste de mim, eu te amo!

Aquilo soou como uma punhalada. A partir dali ela sabia que tinha um inferno pela frente, que elas precisavam sair de lá. Um turbilhão de pensamentos passou pela sua cabeça e ela respondeu: Tudo bem, minha pequena. Nada vai me fazer desistir de você. Nós enfrentaremos o mundo se for preciso e o nosso amor nos dará forças pra isso.
Depois de responder um "Eu te amo!", Isadora desligou.
Aquilo de fato tinha acalmado Sophy, pois era a voz de sua amada que lhe falava que não desistiria dela por nada. As horas foram passando e Sophy voltava a ficar ansiosa esperando uma nova ligação de Isadora. Quando já havia perdido as esperanças de ouvi-la ainda naquele sábado, uma janela laranja piscou na tela do computador. "Amor?" - era ela, sua meninas, sua Isadora. Elas começaram a conversar, Sophy estava perdida em tanta angústia, não sabia de fato o que tinha acontecido e precisava entender. Como eles tinham descoberto aquilo? O que tinham feito com a sua pequena? O que tinham dito?
Sophy: Me fala agora, amor, o que aconteceu? Eles te bateram? O que falaram? Onde você está?
Isadora: Calma, amor, eu vou explicar tudo. Eu estou na casa da vizinha. Eles saíram, foram falar com a psicóloga e eu aproveitei pra vir aqui. E quanto ao que eles falaram.. eles não me bateram, nem sei como descobriram.. comentaram algo sobre o pai de um aluno, mas não faço ideia de quem seria. Só sei que eles sabem de tudo, TUDO! Bebidas, meninas, etc. Quando desliguei o celular com você, minha mãe estava entrando em casa com meu pai, ela não estava bem, mal conseguia se segurar em pé. Veio apoiada nos braços do meu pai, chorando muito. Perguntei o que tinha acontecido e eles não falavam nada. Minha mãe ficava repetindo "diga que é mentira, por favor, fala que tudo isso é mentira"... Eu perguntava o que, mas ela não respondia. Eles foram pro quarto deles e uns minutos depois meu pai veio até aqui, tomou o celular e o notebook e voltou pro quarto. Eu já estava entrando em pânico com aquilo, não entendia nada, ninguém me falava nada, até que eles me chamaram. Fui até o quarto e eles começaram a me perguntar sobre tudo... o que eu fazia quando ia pra Área Verde, o que eu já tinha usado, como, quando, com quem... e assim foi por um longo tempo de conversa. Aí meu pai perguntou sobre você! Perguntou o que a gente tinha. Aí eu respondi: "Olha, pai, mãe, me desculpem, mas eu amo a Sophy como nunca amei ninguém em toda a minha vida."
Eles ficaram calados por alguns segundos, minha mãe começou a chorar e dizer que eu ia acabar matando ela. Eu chorei também, demais! Lágrimas, soluços incontroláveis. Meu pai pedia pra eu me acalmar, mas não adiantava. Depois disso, voltei pro meu quarto e fiquei até a hora em que eles saíram e vim direto pra cá.

Sophy não tinha mais nada pra responder, disse apenas "meu amor, eu te prometo que nós vamos passar por tudo isso, venceremos isso juntas. E nós vamos ficar bem, com o consentimento deles ou não, nós vamos ficar bem!
Naquele momento, a ficha caiu. Foi como se as duas estivessem acordando para o que realmente teriam de enfrentar, para o inferno que estava por vir... ? partiria para outro estado em 3 dias, sem celular, sem internet, como se comunicariam? A realidade estava começando a pesar, mas decidiram juntas; a partir daquele momento jamais desistiriam uma da outra e estariam sempre ali, esperando, se fortificando, mesmo que só com o pensamento e com as lembranças que teriam uma da outra. Nada as faria desistir, isso era certo!
Conversaram então por uns 15 minutos, aproveitando cada segundo, porque não sabiam quando seria a próxima vez... a única certeza era de que Sophy daria um jeito de entregar um celular pra Isadora no domingo de manhã, quando ela sairia pra prestar uma prova de vestibular.
Dito e feito. Domingo de manhã, o celular estava entregue nas mãos de isadora por uma amiga de Sophy. Isadora tinha medo de que os pais percebessem o celular, então guardou o chip e o levou pra casa.
A noite chegou e elas ainda não tinham se falado...
Sophy só estava esperando que seus pais chegassem até ela. Tinha certeza de que os pais de Isadora já teriam contado.
A noite cortante acabava com o interior das duas. Aquilo parecia ser o fim, o sono não chegava, as lágrimas eram simplesmente inacabáveis, o relógio parecia atrasar a cada minuto ao invés de prosseguir... e assim foi aquela noite de domingo, 13 de dezembro.
Segunda, dia 14 de manhã. Sophy já não aguentava mais, seus pais não lhe falavam nada a respeito, e ela não entendia o porquê. O dia foi passando, ela conseguiu falar com sua menina algumas vezes. Sempre que possível Isadora se trancava no banheiro e ligava pra ela, conversavam por alguns segundos e eram obrigadas a desligar... mas aquilo já era melhor que nada, era reconfortante a ponto de deixar feliz! O dia escureceu. Os pais de Sophy chegaram em casa, mais ou menos ás 20h, tomaram café e, enfim, resolveram falar com ela.
Seu pai disse já estava a par da situação e não entendia aquilo. Sua mãe, que ela precisava mudar aquilo, que conseguiria. Deus foi o título principal.. - como você quer ser feliz, minha filha, se não está seguindo o caminho de Deus? - você já viu em algum lugar Deus abençoar o casamento entre duas mulheres? - como você pode ter esperanças de conseguir algo em sua vida, se você já está começando fora das leis de Deus?

Foram só algumas das inúmeras perguntas-afirmativas...
Seus pais a julgavam, falavam que estava errado, que aquilo não era normal, que ela precisava mudar!

Sophy respondia coisas como 'Vocês acham mesmo que se eu pudesse mudar isso eu não mudaria? Passar por todo esse inferno podendo escolher não passar? Ser heterossexual para mim agora seria muito mais fácil, seria o perfeito, o normal... e se eu pudesse esclher, eu escolheria estar aqui, passando por isso? Não, eu não escolheria, podem ter certeza. Eu amo a Isadora, é amor, não se muda, não se esquece nem se tira do coração. Aconteceu! Eu não olhei pra ela e falei: vou me apaixonar por você, vou te namorar e seremos felizes juntas. Não, eu definitivamente não falei! É um sentimento incontrolável, muito mais forte que qualquer padrão social, e que me fortalece, me faz feliz. É desse jeito, é com ela, e é assim que eu me sinto completa. Quanto a Deus, a perfeição.. não é isso? Se alguém te pede: define Deus. As prováveis primeiras respostas serão amor e perfeição. Pois bem, commo que amor e perfeição não me entenderiam? Não me aceitariam do jeito que eu sou? O meu Deus não é um Deus preconceituoso, o meu Deus de amor sabe que eu sou feliz assim e ele me aceita exatamente desse jeito.
Alterações, tons mais altos de voz, gritos... e assim foi a primeira 'conversa' sobre a sexualidade de Sophy.
Milhões de coisas passaram por sua cabeça: por que seus pais não a aceitavam? Por que não eram capazes de entender a sua felicidade? Onde estava aquela família que não te abandonaria nunca, que te aceitaria do jeito que você é, em que o amor prevaleceria sempre. Onde estava?
O sono foi se aproximando, Sophy não dormia desde o sábado e seu corpo gritava por descanso.
A miserável terça chegou! Era naquele dia, naquela madrugada, que sua pequena se distanciaria ainda mais dela.. o dia passou como uma tortura, elas não conseguiam pensar em outra coisa a não ser a maldita viagem de Isadora. Nada mais existia a não ser o desamparo de ambos os lados. Se falaram algumas poucas e rápidas vezes, acertaram que Isadora, assim que chegasse, antes mesmo de desarrumar as malas, tentaria ligar pra Sophy, dar notícias.


continua no proximo capítulo...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

LUGARES INUSITADOS

A ponto1: Um belo final de tarde, de vestidinho, minha namorada a perigo, cheia de foguinho pra cima de mim, mas não tinha lugar! Aí a gente foi dar uma volta, vimos uma rua bem escura e caminhamos até o final dela.Estávamos lá naquele amasso, mãozinha descendo, vestidinho subindo, boquinha descendo... então a gente escutou uma janela abrindo! Aí foi aquela correria; se arrumar, abaixar vestido e fingir que nada aconteceu. Cortou o clima, mas valeu a adrenalina!

As ponto2/ponto3: (adoro historinhas conjuntas!): O Limoeiro! Estávamos na balada, open bar, bebendo alucinadamente... acabamos encostadas no muro, onde começamos a nos beijar. No calor da situação, a ponto3 sugeriu um lugar mais discreto e a ponto2 decidiu que o lugar mais discreto era atrás do limoeiro que ficava num cantinho, no fundo da balada. Até que a coisa foi fluindo e, quando estávamos envolvidas, surgiu uma criatura, do nada, com uma lanterna na mão! O que não mudou muita coisa; depois que passou o
susto, a coisa continuou fluindo até que o som parou e as pessoas começaram a nos procurar pra ir embora!

A ponto4: Eu tava na balada, alguns meses depois de terminar com a minha namorada (por quem eu sou meio que apaixonada até hoje), numa fossa MACABRA, com um amigo gay lindo, alto e malhado (eca!). Estávamos esperando outro amigo que ia trazer uma amiga de infância dele, que, por sinal, era noiva de um conhecido nosso. Eu, mega desanimada, não tava nem aí pra garota ou pros dois meninos. Mas a coisa mudou quando a gatota chegou! Mew!! Não tinha como não olhar, ela era LINDA! Logo os dois estavam tentando me convencer a ficar com ela (como se precisasse), mas eu não queria zuar o noivo dela. Os dois saíram de perto da gente e nós duas ficamos conversando e eu que não queria zuar o cara, quando me dei conta tava ficando com a noiva dele. As coisas foram esquentando e acabou rolando ali mesmo, na pista de dança, com todo mundo em volta! Quando meus amigos voltaram, quase morreram de rir, mas foi legal! E a gente deu sorte de não ser expulsa da balada...

A ponto5: (convidada) O lugar mais inusitado que eu já fiz, foi dentro de um ônibus de viagem, com a minha ex. Era noite, e tava todo mundo meio dormindo, a gente começou a se beijar, ela tava deitada no meu colo, minha mão começou a descer, abriu o zíper da calça dela, e foi ali mesmo, e ninguém notou! rs

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O QUE VALE ENTRE QUATRO PAREDES?


A ponto1: É fácil falar que entre quatro paredes vale tudo. Até concordo que valha, desde que haja consenso entre as partes e tudo seja bem acordado (sem excluir as surpresas BOAS). Vale um tapinha, uns acessórios e qualquer outra coisa que estimule as fantasias da parceira, pra não deixar a relação cair na rotina.

A ponto2: Entre quatro paredes vale "tudo"; na verdade, tudo é muita coisa. Acredito que além de consenso, precisam existir limites e respeito. É claro que inovar é preciso pra não criar uma rotina, só que precisa haver carinho e amor, sem cair na vulgaridade.

A ponto3: Existe um ditado que diz 'sua liberdade termina onde começa a minha'. Pois então em quatro paredes vale tudo até onde sua parceira permitir que você vá (cu não!). Mas também com consentimento de ambas, para que a pessoa não se submeta a coisas por estar com medo de perder a parceira,
ou de que ela ache na rua o que a outra não quer dar.

A ponto4: O chato de ser a última a escrever é que já disseram tudo que eu ia dizer. Então vou tentar não ser repetitiva. Entre quatro paredes só existe você e a sua parceira (ou parceiras, cada um com seus problemas), então vale realmente qualquer coisa que faça bem pra todo mundo. Inovar é sempre bom e, por mais que as pessoas costumem negar, todo mundo gosta de uma loucurazinha. Preconceito também existe na cama e atrapalha muito. Com um pouco de conversa dá pra encontrar coisas legais que agradem pessoas de gostos diferentes. O que vale mesmo é nem parar entre as quatro paredes!
Bora inovar, povo!


Equipe